segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Depois de um dia estressante... Vou rir que me faz melhor!

"Linda. Tu és uma mulher linda. O cabelo e os olhos. Linda! Mas onde tu és mesmo linda é aí dentro. Tu és linda no coração." Toda Linda!
 Entre sangue e dentes desfeitos, estas foram as últimas palavras que o homem de pernas engessadas, braços amarrados às grades da maca e nome estrangeiro me disse enquanto o maqueiro arrastava a maca para fora do gabinete. O sotaque deixou-me receosa. Receosa, mas intrigada. Entre a dicção marcada pelo excesso de fluídos orgânicos que saíam em pequenos esguichos vermelhos e que pintavam o lençol branco com o logotipo do hospital e a fala arrastada resultante de alguma coisinha na veia para lhe acalmar os nervos, a musicalidade da pronuncia de um qualquer país estrangeiro era ainda evidente. 
Estaria eu a ser preconceituosa? Seria possível identificar a nacionalidade de um sotaque com todas aquelas condicionantes?
O nome Yuri num homem de olhos azuis e roupa de servente das obras teria influenciado o meu raciocínio? Porque estava eu a pesquisar o processo de um doente para satisfazer a minha curiosidade? Efeito de quase vinte horas consecutivas de trabalho? Exacerbação de carências afetivas? O fato de ele ter dito que eu sou linda cinquenta  vezes em trinta segundos terá despoletado em mim alguma reação libido-psicológica? Ele vinha da Rússia? Da Ucrânia? Da Roménia? Da Hungria? Fui ver.

Vinha da psiquiatria. Rindo Muito! 
Gargalhando de tanto rir!


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